quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ação Importante

29/11/2011 - 16h28

Rio apreende mais de 300 javalis em criadouro ilegal em Área de Proteção Ambiental

Julio Reis

Especial para o UOL Notícias, no Rio de Janeiro



Uma operação deflagrada pela Secretaria do Estado do Ambiente no Rio de Janeiro apreendeu, na manhã desta terça (29), 316 javalis em um criadouro ilegal na Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima, que fica no município de Nova Friburgo, região serrana do Estado.

Até agora, só 90 animais foram retirados do local - os outros devem ser recolhidos até o fim da semana. Segundo a secretaria informa, a demora se dá por causa da complexidade da ação, da localização do criadouro e do tamanho dos animais.

Coordenada pessoalmente pelo secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc, a operação contou ainda com o apoio de equipes do Batalhão Florestal, do Bope, do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), da Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária e do Ibama.

“Era uma bomba biológica. Os javalis iam acabar com o Parque Estadual dos Três Picos, que é a maior unidade de conservação do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou Minc. “Estamos em uma área de proteção ambiental e o empreendimento estava funcionando sem a licença ambiental do Ibama e do Inea, sendo uma atividade totalmente ilegal.”

De acordo com a secretaria, o criadouro ilegal trazia riscos ambientais para o ecossistema da região, já que não existiam predadores naturais dos javalis e os animais podiam comprometer a biodiversidade do local se invadissem áreas verdes protegidas.

A secretaria informou que os javalis retirados hoje foram transportados para um abatedouro em São Paulo, onde suas carnes voltarão embaladas a vácuo para serem doadas, pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, para restaurantes populares e comunidades carentes.


http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/11/29/rio-apreende-mais-de-300-javalis-em-criadouro-ilegal.jhtm

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Acidente

26/11/2011 - 06h00

Óleo que vazou na bacia de Campos está na rota de cerca de 10 mil baleias jubarte

Do UOL Notícias, em São Paulo














População brasileira das baleias jubarte passa justamente nesta época do ano pela costa do Rio



O óleo que vazou no campo de Frade, na bacia de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, pode prejudicar ao menos 10 mil baleias jubarte que vivem metade do ano em águas da costa brasileira.

Segundo o Instituto Baleia Jubarte, esses mamíferos chegam por volta de julho ao arquipélago de Abrolhos (BA), principal ponto de reprodução da população brasileira da espécie (existem outros seis grupos no hemisfério sul), e é justamente em novembro, quando os filhotes já estão grandes o suficiente para aguentar a jornada migratória, que as baleias partem em direção às águas geladas do Atlântico sul.

“Por enquanto não tivemos nenhum registro de que alguma jubarte tenha passado pela mancha. Estamos acompanhando”, disse Márcia Engel, presidente do Instituto Baleia Jubarte.

De acordo com Márcia, as baleias viajam até a região das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, território de domínio britânico próximo às Ilhas Malvinas, onde se alimentam. É lá que vive o camarão krill, sua principal fonte de alimentação. “A jubarte passa metade do ano em área de reprodução e a outra metade em área de alimentação”, esclarece Márcia.

A presidente do instituto afirma que, geralmente, a baleia tende a desviar da mancha de óleo. Porém, uma vez na mancha, o petróleo pode causar sérios danos à saúde da jubarte, especialmente aos filhotes, que são mais vulneráveis.

“O que mais preocupa são os problemas respiratórios que o óleo pode causar. A baleia [que respira na superfície] acaba respirando os gases voláteis da evaporação do petróleo. Mas há ainda o risco de problemas nos olhos e na pele.”























O levantamento oficial do número de baleias da população jubarte brasileira será divulgado no início do ano que vem pelo instituto, mas a estimativa é que existam de 10 mil a 14 mil jubartes no Brasil. No entanto, não são apenas as jubarte que estão em risco devido à mancha de óleo. De acordo com Márcia, na região da bacia de Campos existem ao menos outras 20 espécies de cetáceos, além de tartarugas e aves marinhas.


O vazamento


O acidente na bacia de Campos se iniciou no dia 8 deste mês, mas as informações sobre o volume vazado ainda são estimadas.

De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo), teriam sido pelo menos 3.000 barris de petróleo derramados. Já a Chevron, empresa responsável fala em 2.400 barris. Na quinta-feira, a Chevron anunciou que o vazamento foi controlado e que vai lacrar o poço em dezembro.

Os danos causados só serão mensurados depois de uma análise de dano ambiental a ser concluída apenas com o fim do derrame, segundo informações do presidente do Ibama.


http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/11/26/oleo-que-vazou-na-bacia-de-campos-esta-na-rota-de-cerca-de-10-mil-baleias-jubarte.jhtm

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Muito Corajosa

UOL Bichos

23/11/2011 - 13h27

Mergulhadora desenvolve técnica para "adormecer" tubarões

BBC Brasil















A mergulhadora italiana Cristina Zenato com tubarões



A mergulhadora italiana Cristina Zanato desenvolve uma técnica pouco conhecida para "adormecer" tubarões chamada de Imobilização Tônica.

Ao esfregar com a mão suavemente sobre pequenas aberturas ao redor de sua boca e nariz, conhecidas como ampolas de Lorenzini, ela induz os animais a um estado de paralisia, no qual eles ficam por até 15 minutos.

As ampolas de Lorenzini são órgãos sensoriais eletrorreceptores que ajudam os animais a detectar vibrações ao seu redor.

"Aprendi (a técnica) por acidente. O tubarão vinha alto em direção ao meu rosto", contou ela à BBC Brasil. "Eu o toquei para empurrá-lo para baixo, mas o tubarão parou de nadar. Foi um comportamento que nos maravilhou e não podíamos explicar", diz ela.

Cristina diz que desenvolveu a técnica "ao longo dos anos, até alcançar os resultados que você vê hoje". O fotógrafo brasileiro Marcio Lisa, que acompanhou o trabalho de Cristina por dois dias nas Bahamas, diz que observar a técnica "é extremamente emocionante".

"Apesar de já ter feitoshark feeding (alimentação de tubarões) antes em outras partes do mundo, nas Bahamas os tubarões são em maior quantidade, cerca de 30 ou 40 ao seu redor, e ficam mais próximos", diz ele.

"É de chorar de emoção ver um bicho deste tamanho imobilizado."


Conservação

Nascida na Itália, Cristina, 40 anos, cresceu nas florestas do Congo e, desde os 20 e poucos anos, é instrutora de mergulho nas Bahamas.

Mas a paixão pelos tubarões vem de antes. "Comecei a nadar com eles aos oito anos de idade. Tive a sorte de ter um pai e uma mãe apaixonados pelo oceano", diz ela.

Atualmente, ela faz campanha contra a caça predatória de tubarões motivada pela demanda por suas barbatanas. "É impressionante ver que países menores, mais pobres, com uma relação maior com o oceano, proibiram totalmente a importação e exportação de barbatanas e produtos de tubarões", diz ela, que luta para que países desenvolvidos adotem medida semelhante.

"Os tubarões são vilificados há séculos, mais ainda em anos recentes", diz ela.
"Eles são parte do balanço dos oceanos e da cadeia alimentar, mas são mais vulneráveis do que outros animais porque atingem a maturidade sexual mais tarde, tem poucos filhotes e se reproduzem mais lentamente do que outras espécies", diz ela.

Cristina diz que os tubarões são ainda hoje uma parte considerável de sua vida.
Ela presta consultoria a aquários e programas educacionais.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/bichos/ultnot/bbc/2011/11/23/mergulhadora-desenvolve-tecnica-para-adormecer-tubaroes.jhtm

sábado, 26 de novembro de 2011

Mega Parque Marinho

Bichos

Austrália planeja criar maior parque marinho do mundo


25/11/2011 - 10h25

DA REUTERS, EM CANBERRA

A Austrália decidiu nesta sexta-feira criar o maior parque marinho do mundo, a fim de proteger uma vasta extensão do Mar de Coral, que banha o nordeste do país, e onde foram travadas acirradas batalhas na Segunda Guerra Mundial.

O ministro do Meio Ambiente, Tony Burke, disse que o parque terá quase 1 milhão de quilômetros quadrados - equivalente à França e Alemanha juntas - e que protegerá peixes, arrecifes e locais de desova de aves marítimas e da tartaruga verde.

"O significado ambiental do Mar de Coral está na sua diversidade de recifes de coral, bancos de areia, cânions e planícies abissais", disse Burke. "Ele contém mais de 20 exemplos excepcionais de isolados recifes tropicais, bancos de areia e ilhas."

O novo parque abrangerá também navios naufragados durante a Batalha do Mar de Coral, uma série de confrontos navais entre forças japonesas, norte-americanas e australianas, em 1942, no que foi considerada a primeira batalha envolvendo porta-aviões.

Pelo menos três navios dos EUA estão naufragados ali - USS Lexington, US USS Sims e USS Neosho -, segundo Burke.

O governo vai detalhar dentro de 90 dias os limites do parque, que ficará dentro da zona econômica marítima australiana.

Atualmente, o maior parque marítimo do mundo fica em torno do Arquipélago de Chagos, possessão britânica no Índico.


http://f5.folha.uol.com.br/bichos/1011892-australia-planeja-criar-maior-parque-marinho-do-mundo.shtml

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Excelente Iniciativa

21/11/2011 - 06h07

Organizações fazem campanhas para proibição de touradas no Peru

Diana Bernaola


Lima, 21 nov (EFE).- Os movimentos contra touradas no Peru começaram uma intensa campanha para conseguir a proibição desse tipo de evento no país, onde mais de 400 festas são realizadas por ano, em uma tradição que começou no século XVI.

Desde 2009, diversos movimentos contra as touradas percorrem o país com iniciativas que procuram "não só beneficiar os animais, mas também a sociedade, porque a violência afeta a todos", afirmou à Agência Efe o diretor da Fundação Franz Weber, o argentino residente na Espanha Leonardo Anselmi.

Anselmi, diretor da iniciativa que conseguiu a proibição das touradas na Catalunha, chegou a Lima para apoiar a campanha promovida pela organização local Peru Antitaurino e que também recebeu apoio de congressistas de diversos partidos políticos.

"Nós consideramos que as touradas são a forma mais cruel que uma pequena parte da sociedade tem para expressar a violência contra os animais em geral", afirmou à Efe o representante da Peru Antitaurino, Luis Berrospi.

A última pesquisa sobre o tema, realizada em 2008 pela empresa privada Datum, indicou que 68% dos peruanos eram contra as touradas, enquanto apenas 9% eram a favor.

A pesquisa também revelou que 66% dos entrevistados gostariam que a prática fosse proibida por lei, frente a 16% que opinaram o contrário.

As iniciativas contra as touradas no Peru começaram em 2009, quando dezenas de ativistas se manifestaram em frente à Praça de Acho.

Em 2010, os ativistas, cujo número chegou a 100, realizaram um protesto disfarçados de "vacas viúvas", que choravam e velavam os touros mortos enquanto diziam frases de ordem como "a morte e a tortura, não é arte nem cultura".

Atualmente, representantes de 11 cidades do país se uniram ao movimento, e um grupo de congressistas de diferentes partidos formou o Bloco Multipartidário para a Proteção dos Animais.

A Peru Antitaurino também começou a coleta de 60 mil assinaturas para apresentar uma iniciativa legislativa cidadã ao Congresso da República para que a proibição das touradas seja debatida pelo plenário do legislativo.

O analista Raúl Aramburu destacou, em artigo publicado na revista "Qué hacer", que as touradas representam "um ritual profundamente enraizado na cultura peruana", pois datam de 1538, além de informar que a cada ano "são realizadas aproximadamente 400 festividades desse tipo no país", que recebem mais público do "que os jogos de futebol".

Alguns defensores do ritual e associações taurinas alegaram que as tradições e expressões culturais do país devem ser protegidas e que as touradas devem ser reconhecidas como Patrimônio Mundial Cultural Imaterial da Unesco. Já a Peru Antitaurino anunciou que está trabalhando para impedir que essa iniciativa seja aceita pela ONU.

Berrospi também disse que o país está atrasado quanto a iniciativas contra as touradas, já que medidas como essas foram tomadas em 1823, no Chile; em 1918, no Uruguai; em 1954, na Argentina; e em 2010 na Nicarágua e na Catalunha (Espanha).


http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/efe/2011/11/21/organizacoes-fazem-campanhas-para-proibicao-de-touradas-no-peru.jhtm

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Peixes Em Perigo

21/11/2011 - 09h46

Biodiesel tem impacto negativo para a vida dos peixes, mostra estudo

Do UOL Ciência e Saúde*

Em São Paulo


Embora emita menor quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera, o diesel de petróleo também pode causar impactos significativos na vida marinha. Isso porque sua formulação possui elementos naturais que poderiam facilitar a absorção de substâncias tóxicas pelos animais. É o que indica estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto (SP).

O trabalho, feito pelo professor Eduardo Alves de Almeida, do Departamento de Química e Ciências Ambientais, e sua equipe, foi publicado no periódico Chemosphere.

O biodiesel é um combustível derivado de fontes renováveis como óleos vegetais – entre os quais mamona, dendê, girassol, babaçu, soja e algodão – ou de gorduras animais que, estimulados por um catalisador, reagem, principalmente com o metanol, gerando ésteres metílicos dos ácidos graxos presentes nesses óleos.

A pesquisa analisou as espécies Oreochromis niloticus, ou tilápia-do-nilo, e Pterygoplichthys anisitsi, o cascudo marrom, após exposição controlada ao diesel de petróleo e ao biodiesel de sebo animal.

A equipe estudou exposições de dois a sete dias nas duas espécies ao diesel derivado de petróleo com biodiesel B5 (contendo 5% de biodiesel), biodiesel B20 (contendo 20% de biodiesel) e biodiesel puro (100% de biodiesel), a 0,1 e 0,5 ml/L de água.

"O B20, nas condições testadas, apresentou menos efeitos adversos do que o diesel de petróleo e do que o B5, o que pode indicar uma alternativa de combustível menos danoso do que o diesel. Entretanto, mesmo o biodiesel puro pode ativar respostas biomecânicas em peixes, nas condições experimentais testadas, indicando que esse combustível também pode representar um risco para a biota aquática", destaca o artigo.

Segundo Almeida, embora parte da origem do biodiesel seja renovável – óleos vegetais, gorduras animais, algas e materiais gordurosos –, pouco se sabe sobre os efeitos desse combustível, assim como seu grau de toxicidade, sobre os animais.

Segundo os resultados apresentados no artigo, o biodiesel pode ocasionar, de forma mais agressiva que o diesel de petróleo, a oxidação nas membranas celulares das brânquias dos peixes.

De acordo com o pesquisador, isso sugere que os elementos naturais do biodiesel, especialmente os derivados de ácidos graxos, são facilmente absorvidos pelos peixes e, de certa forma, auxiliam a entrada de mais substâncias tóxicas do petrodiesel presentes na mistura, que na ausência do biodiesel como ‘facilitador’ eram mais difíceis de serem absorvidas.

O artigo "Biochemical biomarkers in Nile tilapia (Oreochromis niloticus) after short-term exposure to diesel oil, pure biodiesel and biodiesel blends (doi:10.1016/j.chemosphere.2011.05.037)", de Eduardo Alves de Almeida e outros, pode ser lido na "Chemosphere" em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S004565351100590X.

* Com informações da Agência Fapesp


http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/11/21/biodiesel-tem-impacto-negativo-para-a-vida-dos-peixes-mostra-estudo.jhtm

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lamentável

Cotidiano

Nordeste / meio ambiente

Boto cinza é encontrado morto na orla da Avenida Beira Mar, em Fortaleza

Publicado em 21.11.2011, às 11h45



FOTO: Juliana Umezaki/Aquasis






















Boto cinza foi encontrado morto na orla da Beira Mar em Fortaleza



LeonardoHeffer Do NE10/Ceará

Um boto cinza encalhou morto na manhã desta segunda-feira (21) na orla da Avenida Beira Mar, principal cartão postal de Fortaleza. De acordo com a equipe do projeto manatí, da ong Aquasis, o animal é uma fêmea jovem de 1,65m e tinha marcas de rede de pesca no corpo, o que indica que morreu durante uma captura acidental. Segundo os biólogos do projeto, essa é uma das principais ameaças para a espécie no litoral cearense.

Ainda de acordo com Ana Carolina Oliveria, da Aquasis, existe uma população de cerca de 50 botos na enseada do mucuripe, em Fortaleza. "É uma população muito pequena que já sofre muito com os impactos ambientais como poluição da água devido a esgosto doméstico, do porto e do estaleiro local", afirma.

Uma das preocupações do projeto, que trabalha o resgate de animais marítimos em todo o estado, é que esta espécie de mamífero desapareça da orla devido aos impactos. "Nossa preocupação maior será quando fizerem a engorda da beira-mar", afirma Carolina, se referindo ao projeto de ampliação da faixa de areia e urbanização da orla.



http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/nordeste/noticia/2011/11/21/boto-cinza-e-encontrado-morto-na-orla-da-avenida-beira-mar-em-fortaleza-310977.php

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Tomara

19/11/2011 - 07h00

Dias do chimpanzé como cobaia podem chegar ao fim

James Gorman

New York Times News Service


New Iberia, Louisiana - Em uma jaula ao ar livre em forma de cúpula, dezenas de chimpanzés gritam. Os pelos das costas estão levantados. Segundo a Dra. Dana Hasselschwert, chefe de ciências veterinárias do Centro de Pesquisas de New Iberia, "Isso é piloereção", um sinal de excitação emocional.

Ela pede aos visitantes que mantenham distância. Os chimpanzés costumam atirar pequenas pedras ou objetos mais perigosos quando ficam agitados.

A semelhança dos chimpanzés com os humanos os torna importantes para pesquisas, mas também gera muita solidariedade. Para os pesquisadores, esses animais podem significar a melhor chance de descobrir a cura de doenças atrozes. Para muitas pessoas, porém, eles são nossos parentes atrás das grades.

A pesquisa biomédica com chimpanzés ajudou a produzir a vacina contra a hepatite B e tem por objetivo produzir a vacina contra a hepatite C, que infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, há muito que os protestos contra essa pesquisa consideram-na cruel e desnecessária.

Devido à grande pressão atual de organizações de defesa dos animais, a decisão judicial que porá um fim a este tipo de pesquisa nos Estados Unidos pode vir em um ano. Atualmente, apenas os Estados Unidos e outro país conduzem pesquisas invasivas com chimpanzés. O outro país é o Gabão, que fica na África central.

Segundo Wayne Pacelle, presidente e diretor executivo da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, "este é um momento bastante diferente dos outros". "É o momento de tirar os chimpanzés da pesquisa invasiva e dos laboratórios", afirma.

John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas do sudoeste, concorda que este é "um momento crucial". O centro é um dos seis laboratórios do país onde há chimpanzés. As diversas tentativas dos opositores "podem levar ao fim de toda a pesquisa médica com os chimpanzés", afirmou.

A sociedade e outros grupos pressionaram os NIH (Institutos Nacionais da Saúde) americanos para que fosse elaborado um relatório sobre a utilidade da pesquisa com chimpanzés, aguardado para este ano. A Sociedade Humanitária também se uniu ao Instituto Jane Goodall e à Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem para elaborar uma petição ao Serviço de Fauna e Peixes dos Estados Unidos, na qual é declarado o risco de extinção dos chimpanzés em cativeiro, uma vez que os que vivem na natureza já estão ameaçados, oferecendo a eles mais proteção. A decisão é aguardada para setembro do ano que vêm.

Gastos com pesquisa são de US$ 30 milhões

Além disso, o Great Ape Protection and Cost Savings Act (Lei pela proteção e redução de custos com grandes símios) irá proibir o uso de todos os grandes símios nas pesquisas invasivas (incluindo bonobos, gorilas e orangotangos). O republicano Roscoe Bartlett, deputado pelo estado de Maryland, é um dos apoiadores da lei. Segundo Bartlett, a lei representará uma economia de US$ 30 milhões para o contribuinte, quantia que é gasta anualmente com os chimpanzés de propriedade do governo.

Segundo Pacelle, é alto o custo da pesquisa invasiva com chimpanzés, sendo que existem alternativas. Além disso, os procedimentos realizados são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento, afirma.

"Esta espécie está ameaçada de extinção e é a mais próxima dos humanos geneticamente", afirma. "Além disso, não devemos abusar de nosso poder", afirma.

Mas como fica o desenvolvimento de medicamentos?

VandeBerg, em contrapartida, afirma que suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas.
"A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso", afirmou.

Se a pesquisa permite salvar vidas humanas, afirmou VandeBerg, "seria totalmente antiético não realizá-la", afirmou VandeBerg.

Os laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos abrigam mil chimpanzés, e o Centro de Pesquisas de New Iberia é um deles. O centro pertence à Universidade de Louisiana em Lafayette, e ocupa 40 hectares do centro da Louisiana francesa ou acadiana, aproximadamente 210 quilômetros a oeste de Nova Orleans. Nele vivem 360 chimpanzés, sendo que 240 pertencem à universidade e 120 ao NIH, além de outros seis mil primatas, a maioria da espécie macaco-rhesus.

Maus tratos aos animais

A instituição foi acusada de maus-tratos no passado, sendo que foram descobertas e corrigidas algumas violações às normas de tratamento dos animais, de acordo com as inspeções do Departamento de Agricultura. Na última inspeção, ocorrida em julho, foram descobertos medicamentos para os animais com prazos de validade vencidos.

Em uma visita recente, verificou-se que alguns chimpanzés ficavam em cúpulas geodésicas de 10 metros de diâmetro e outros em jaulas menores ao ar livre. Além destes, o doutor Thomas J. Rowell, diretor do centro, contou que um número inferior a dez estava sob estudo ativo, em jaulas internas medindo 1,5 por 1,8 metro e 2,0 metros de altura. Os procedimentos práticos envolviam aplicação de injeções, retirada de amostras de sangue e biópsias hepáticas, as quais eram realizadas sob efeito de anestésicos.

Muitos estudos têm duração de apenas alguns dias, afirmou Rowell, mas alguns demoram mais tempo. Quase concluído, um estudo vinha sendo realizado há quatro meses. Rowell defendeu com entusiasmo o tratamento proporcionado aos chimpanzés no centro, enfatizando os cuidados veterinários e o empenho em melhorar a forma como vivem, tornando os ambientes do alojamento mais interessantes.

Histórico

Os chimpanzés são utilizados em pesquisas nos Estados Unidos desde a década de 1920, quando Robert Yerkes, professor de psicologia da Universidade de Yale, começou a leva-los para o país. Durante a década de 1950, a força aérea passou a reproduzi-los para o uso no programa espacial, a partir de 65 espécimes capturados na natureza.

Os chimpanzés também foram procriados para serem usados em pesquisas da AIDS nos anos 1980, que não obtiveram avanços. Em meados da década de 1970, o apoio à preservação de espécies ameaçadas de extinção havia aumentado, e a importação de chimpanzés retirados da natureza foi proibida. Nos anos 2000, foi aprovada uma lei federal exigindo a aposentadoria dos chimpanzés pertencentes ao governo após o fim de seu uso em experimentos. Foi inaugurado em Shreveport, na Louisiana, o Chimp Haven, um santuário nacional de chimpanzés, para dar assistência a esses a outros chimpanzés.

A tentativa de trazer de volta para a linha de pesquisa os chimpanzés semiaposentados do santuário Alamogordo Primate Facility, no Novo México, foi o que induziu em parte o recente aumento da oposição às pesquisas. O NIH queria transferir cerca de 200 de seus chimpanzés do Alamogordo para o centro de San Antonio, que pertence ao Instituto de Pesquisas Biomédicas do Texas. A Sociedade Humanitária intercedeu para evitar a transferência e o NIH cedeu, pedindo a realização de um relatório dos chimpanzés utilizados em experiências este ano ao Instituto de Medicina, um conselho consultivo.

Paraíso para chimpanzés

O Chimp Haven é o potencial destino dos chimpanzés aposentados e possui atualmente 132 deles vivendo em um bosque de pinheiros de 80 hectares. Eles ficam alojados em uma variedade de jaulas e recintos cercados, incluindo um pátio de recreação a céu aberto, com 4 mil metros quadrados e envolto em muros de concreto, além de dois habitats de floresta, um de 16 e outro de 20 mil metros quadrados, delimitados por um fosso e por cercas. Porém, os chimpanzés que estão nos centros de pesquisa, talvez nem saiam dali, mesmo após o fim dos experimentos. É possível que apenas fiquem ali, livres dos estudos invasivos.

Seja qual for a decisão, os pesquisadores e defensores dos chimpanzés sabem que eles representam uma pequena parte do total da pesquisa realizada com animais e do debate mais amplo.

Segundo Kathleen Conlee, diretora sênior para questões de pesquisa animal da Sociedade Humanitária, a atual discussão em relação aos chimpanzés indica o caminho para o futuro.

"Este tipo de análise rigorosa deveria ser aplicada a toda a pesquisa com animais", afirmou.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/11/19/dias-do-chimpanze-como-cobaia-podem-chegar-ao-fim.jhtm